sábado, 26 de julho de 2008

Nada na manga!

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A família U-209, tem origem na Alemanha. São construídos no inicio dos anos 70, depois de os aliados ocidentais, terem levantado a restrição a que a Alemanha produzisse submarinos com mais de 1000 toneladas de deslocamento, dado até ali a Alemanha se ter limitado aos pequenos U-205 e U-206 costeiros.
O U-209, é assim um submarino que se baseia parcialmente nos mais pequenos U-206, mas com maior tamanho, capacidade das baterias aumentada, propulsão mais potente, lemes horizontais retracteis a vante, montados a baixa altura na proa, lemes cruciformes a ré e uma tripulação reduzida. O U-209 foi um enorme sucesso de exportação, tendo sido vendidos U-209 para vários países, como o Equador, a Venezuela, a Indonésia, a Colombia, o Brasil, a Grécia, a Turquia ou o Chile.
A familia desenvolveu-se com o tempo, e foram sendo criados submarinos maiores, com a incorporação de novos sistemas, maiores motores e maior autonomia que resultaram nos submarinos U-209-1300/1400. Mais compridos que os anteriores, e reconhecidos pela não existência da característica bossa na base da vela. Com a supressão desta característica, pretendeu-se reduzir o nível de ruído quando o navio está submerso, dando-lhe melhores características hidrodinâmicas.
Até aqui, os submarinos convencionais, estão dependentes de um motor a Diesel, ligado a um alternador, produzindo assim energia eléctrica que alimenta o motor eléctrico do submarino, podendo ao mesmo tempo carregar as baterias. Mas claro, o motor a Diesel, para funcionar, precisa de ar.
O submarino, pode submergir durante um período limitado de tempo, desligando o motor a Diesel, e sendo movido pela energia eléctrica das baterias, mas quando as baterias se descarregam, a única hipótese, que resta ao submarino, é voltar a ligar o motor Diesel, para recarregar as baterias.
Isto apresenta dois problemas:Por um lado, o ruído do motor a Diesel, mesmo nos mais modernos, é relativamente elevado, o que pode constituir uma desvantagem, e pese embora o facto de não ser provavelmente ligado o motor a Diesel numa situação de conflito ou onde houvesse possibilidade imediata de detecção. Por outro lado, o motor necessita de ar (Oxigénio, para ser mais correcto), e este tem que ser obtido, emergindo, ou subindo para uma profundidade que permita ao fazer emergir um tubo, que lhe permite a entrada de ar, para colocar em funcionamento os motores a Diesel. Chama-se a isto profundidade de «Snorkel». A desvantagem é que os equipamentos de Radar e Sonar dos dias de hoje, conseguem detectar mesmo a parte superior do «Snorkel», dando assim a conhecer ao potencial inimigo a sua posição.
O Sistema de Propulsão Independente do Ar, ao invés, permite ao submarino aumentar a sua autonomia em submersão, de 48 a 72 horas (o tempo que decorre num submarino convencional até que as baterias tenham que ser recarregadas) para um período que pode ir de 15 a 21 dias. Isto ocorre, porque se produz energia eléctrica, por meios químicos, sem que seja necessário ao submarino vir à superfície.
Do ponto de vista táctico, um submarino com AIP, é quase invisível, e torna-se quase impossível saber onde se encontra, ou para onde se deslocou submerso. Desde o último dia em que houver uma informação sobre a sua localização, podem passar dias ou semanas, até que se saiba onde se encontra.
Por causa do sistema de combate, sistemas electrónicos, armamentos e tipo de sensores o U-214 (e o U-209PN) tem provavelmente menos que ver com os mais antigos U209 (dos quais conservam no entanto algumas características, nomeadamente na estrutura interna), e muito mais que ver com o submarino U212.
O U212 é um projecto alemão que tem como objectivo substituir os pequenos submarinos costeiros alemães, por um submarino com características de submarino costeiro, mas com dimensões maiores que lhe permitam também operar a longas distâncias e com o sistema de propulsão AIP.
O submarino vai permitir à marinha alemã, se necessário, operar no Atlântico, coisa que com os pequenos U-206 não podia fazer. O U212 foi pensado para as necessidades decorrentes da utilização do sistema AIP. O reservatório de Oxigénio está colocado fora da zona pressurizada do navio, assim como os reservatórios de Hidrogénio. Esta é aliás a maior diferença entre os dois navios, porque o U-214, não tem os reservatórios de Oxigénio na parte exterior, mas sim na parte pressurizada, porque o seu projecto é posterior ao do U212.
Há várias razões para as diferenças entre U212 e U214. O U214, pensado para operar essencialmente no oceano, tem necessidade de submergir a profundidades maiores. É por isto que o seu casco, (ou a parte pressurizada) deve ser mais resistente. O U-214, tem uma área pressurizada uniforme, quase como uma enorme botija de gás. A opção pela colocação dos reservatórios de Oxigénio dentro da parte pressurizada, deve-se a modificações e descobertas técnicas nos anos 90, que reduziram os riscos decorrentes da colocação de um reservatório de Oxigénio dentro do casco pressurizado do submarino. Além do mais, o U214 não teria lugar para a colocação dos tanques de oxigenio e teria que ter as suas linhas completamente redesenhadas para o permitir.
No U-212, o reservatório de Oxigénio está colocado na parte exterior. Como resultado, o U-212 tem uma área pressurizada com dois diâmetros diferentes. A secção frontal (derivada do projecto de submarino realizado pela Thyssen para a marinha Argentina conhecido como TR-1700) é maior que a secção posterior, exactamente porque, nessa secção do navio, está alojado o tanque de Oxigénio. O único problema neste caso, é a possibilidade de existir aí, um ponto de menor resistência à pressão, tornando o U-212 menos eficiente que o U-214 no que respeita a mergulho a grande profundidade.
Outra diferença entre U-212 e U-214, são os lemes. Enquanto que o U-214 tem um leme vertical de proa, o U-212, dispõe de lemes verticais na vela. Também se verifica no leme traseiro uma diferença considerável:Assim: Enquanto o U-212 tem um leme em " X" o U-214 tem um leme tradicional, na configuração "+"
Quer num caso quer noutro, as razões prendem-se com o conceito de utilização. O leme em "X" do U-212, torna-o menos proeminente, facilitando ao mesmo tempo o "pouso" no fundo do mar. Também por isso, os lemes de profundidade foram colocados na vela e não mais abaixo no casco, como no U-214, o qual, pensado para operar no oceano, não tem que "pousar" no fundo do mar, o que tornaria o leme em X de pouca utilidade. Além disso, o U-212 não tem o leme de profundidade no casco e sim na vela, porque se o navio bater no fundo, não danificará o leme.
Há também vantagens e desvantagens para a mobilidade do submarino, e a sua capacidade para mergulhar ou emergir rapidamente.
O U209-PN, sendo basicamente um U214, embora cumprindo com todas as exigências da marinha portuguesa, determinadas para os U209 inicialmente propostos, são dos navios mais modernos presentemente em construção, e, serão, em 2010, quando forem incorporados, dos submarinos convencionais mais eficientes de qualquer marinha europeia.


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